[Letra de "Cara D'Ontem"]
[Verso 1: Vácuo]
Ya
G'anda ressaca
Bolso vazio, cabeça opaca
A cara é a me'ma qu'ontem vi num copo afogada
O álcool mata, mas vou vivendo
Se a cara é d'ontem, sou sempre o me'mo
Acabo a noite e faço sempre o pleno
[Verso 2: Rilha]
Bebo o copo, parto a jola
Sem destino, nem viola
Canto o fado da madruga
É o hino do bebedola
Traz o whisky, deixa a cola
Quieto, vejo tudo à roda
Escrevo o início da noite
O resto: lembrar 'tá foda
[Verso 3: Vácuo & Rilha]
D'onde vinhas?
Nunca fui bom nas adivinhas
Sem espinhas
Asso a minha moca como sardinhas
Estas olheiras serão minhas?
Não sei se alinhas
Nas bocas que tropeças
Línguas levantam conversas
Então moço, bebes por gosto
Toca a emborcar
Mergulhar o corpo em álcool não o vai desinfetar
Sou teimoso, no charco meio que estou a boiar
Style nenúfar, metes o pé e sei que te vais afogar
Uh-uh
Benzo-me tipo que vou com um Mercedes
À mercê do que penso
Sei que não percebes
Apresento-te rap, boy protege-te
Não protestes
A cara que tenho é a cara que vês
Mas queres outra? Se é nesta que eu vejo sombras
Sempre fresh como essa conta
Poupa-me bocas
Poupa bocas
Queres ser litrosa?
Mano, és conta gotas
Sim ou sopas
Não curto afrontas nem 'tou aqui pa' montras
Palavras soltas
Quando é no caderno, a escrevê-las todas
Sábias, ocas
Preenchem o som, não vês cá pontas soltas
Outras ondas, sem ter prancha mas a surfar as sondas
CaraDontem, igual à de hoje
Diferente de outras
Sobe e desce
Ontem 'tava no topo, hoje no 'tou Tejo
Com mais sombra nos olhos que o Alentejo
Não me invejes
Se não me interesso
Meto o rap noutro level
Vejo de perto rapper aos meus pés
[Refrão]
Cara d'ont–, cara d'ontem
Cara d'ont–, cara d'ontem
Cara d'ont–, cara d'ontem
Cara d'ont–, cara d'ontem